Receita da Sogra

Encontro Rural

11/06/2015
Receita da sogra

Como Chistiana dos Mares Guia, sobrinha do ministros do Turismos, Walfrido dos Mares Guia, vem conquistando paladares no Brasil inteiro

Terra do cantor João Bosco e do ex-jogador Reinaldo, do Atlético Mineiro, Ponte Nova, na Zona da Mata, é também conhecida por suas tradicionais receitas de goiabada cascão, que passam de mãe para filha. A empresária Christiana dos Mares Guia Martins, sobrinha do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Gui, foge à regra em um pequeno detalhe - herdou a receita da sogra, Maria Gomes Martins. Mas foi tão hábil na produção do doce, que conquistou paladares exigentes, em terras distantes da interiorana Ponte Nova. A lista de clebridade e políticos que já experimentaram a goiabada da Christy é extensa. Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e o cantor Lulu Santos são alguns nomes. Há quem diga que a rainha da Inglaterra Elisabeth II, provou e aprovou a receita, levada ao Reino Unido pela mineira Lúcia Flecha de Lima, atial secretária de Turismo de Brasília. Mesmo tendo alcançado tamanha projeção, seus produtos - batizados Doces da Christy - começaram a ser fabricados de maneira despretensiosa. Professora de Artes, Christiana nasceu em Belo Horizonte e mudou-se para o interior algum tempo depois de casar. COntinuou a lecionar em Ponte Nova, mas o salário estava abaixo do que costumava ganhar como professora em Belo Horizonte. Para complementar a renda, decidiu vender na capital o excesso da produção de goiabada feita pela sogra. "Isso foi há cerca de dez anos. Nessa época fiquei conhecida como Christy da Goiabada", lembra. A empresária aprendeu a fazer o doce e a cuidar da plantação. O número de pedidos crescia em ritmo acelerado, e quando o negócio começou a deslanchar ela foi surpreendida com uma notícia - a fazendo onde eram cultivadas as goiabas e produzido o doce teria que ser vendida. A decepção foi grande, mas não durou muito tempo. "Ficamos sabendo que uma propriedade da região, cim um grande goiabal, estava à venda."

Fechando o negócio, a produção retormou o ritmo anterior

Christiana só utiliza goiabas vermelhas cultivadas na própria fazenda, que fica a 14km de Ponte Nova. Elas são descascadas, lavadas e depois vão para o tacho, onde são batidas durante cerca de duas horas. É adicionada pequena quantidade de suco de limão, que tem ácido cítrico, um conservante natural e que também deixa o doce com brilho. Da receita original, ela só reduziu a quantidade de açúcar. Não há adição de conservantes artificiais e por isso a validade é de seis meses.

E goiaba é o que não falta na fazenda. São quatro mil pés com produção média anual de 60 quilos por pé. O problema da sazonalidade foi resolvido com o manejo adequado da planta, com a poda nos períodos certos e com irrigação artificial, feita po canaletas. Esses cuidados garantem produção contínua e volumosa das árvores. Há goiabas o ano inteiro e em quantidade superior à necessária para a fabricação dos doces. Por esse motivo a empresária pretende firmar um acordo comercial com fábricas de sucos da região.

Sem dispensar seus conhecimentos como professora de Artes, Christiana caprichou na embalagem. Fez pesquisas e procurou o Sebrae que a ajudou a elaborar um lay out diferenciado para latas e barras de doces. A empresária também desenvolveu novas receitas, como a mangada e bananada. Hoje, seus produtos são vendidos em restaurantes e delikatessen de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Brasília.

Cautelosa, Christiana quer que o crescimento do negócio seja autosustentado, por isso não se arrisca a fazer investimentos elevados. Mas não deixa de olhar longe. A prioridade atual é concluir o Programa de Boas Práticas do Sebrae, que irá adequar o negócio às exigências do mercado. Os próximos passos são a exportação de seus produtos, a reforma das instalações e a aquisição de novos equipamentos.

"Temos em mente um projeto de agroturismo. Queremos adaptar a propriedade para receber os consumidores. Para isso, pensamos em abrir uma loja na frente da fazenda e reformar o galpão, com uma parte de vidro, para permitir que o público veja como o doce é feito". diz. E não apenas ver. Quem for à propriedade não deixará de experimentar esse doce que derrete na boca, com sabor puro da goiaba.