Projeto incentiva produtos mineiros

Valor Econômico

31/05/2013

A receita é de família. A goiabada feita em tacho de cobre no fogão a lenha em uma antiga fazenda na cidade de Ponte Nova, interior de Minas Gerais, ganhou fama nos anos 90. O que no início era para consumo da casa e dos amigos, nas mãos de Christy Martins virou uma iguaria capaz de dar lucro. Nascida nos Estados Unidos, formada em artes plásticas, Christy adaptou a receita da sogra para a produção em escala maior e começou a vender o doce de porta em porta. Quem provava, insistia em repetir.

"Em 1997, a fazenda da família foi vendida e eu sabia que tinha um produto único na mão", lembra a empresária. Sem titubear, ela investiu na compra de um pequeno sítio, com mil pés de goiaba em produção, e começou a fabricar a goiabada, disponível em latas de 500 g e 900 g.

Para ter garantia de que o negócio daria certo, fez o curso Empretec do Sebrae e em 2001 decidiu profissionalizar de vez a Doces da Christy. As embalagens ganharam design especial e a lata vermelha espaço em endereços nobres como a casa Santa Luzia e a Galeria dos Pães, ambos em São Paulo. Hoje, a produção alcança 4 mil quilos de goiabada e mangada por mês, comercializados por cerca de 350 clientes com perfis que variam da centenária Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro, ao Supermercado Zaffari, no Rio Grande do Sul. O faturamento estimado para este ano é de R$ 800 mil, 30% a mais que em 2012. "Até agora crescemos pela demanda da própria clientela que conhece o produto, gosta e o coloca nas gôndolas como premium", observa Marina Martins, filha de Christy, que há um ano abraçou o negócio com o objetivo de levar a empresa a um novo patamar de produção.

"Agora, com a participação no projeto Origem Minas a aposta é em um crescimento mais sustentável, com expansão de mercado de forma mais competitiva, sem perder a característica de um produto diferenciado, sem adoção de conservantes, que preserva as características da culinária mineira, mas que pode ser degustado em qualquer parte do mundo".

O Projeto Origem Minas, da qual fazem parte 90 empresas mineiras, foi criado pelo Sebrae-MG, em parceria com a FAEMG, há apenas um ano com o objetivo de desenvolver estratégias de capacitação, promoção e comunicação para produtos-chave do agronegócio mineiro, que possam projetar o setor nos mercados nacional e internacional, fortalecendo as relações para toda a cadeia produtiva.

"Os micro e pequenos produtores, assim como as cooperativas selecionadas pelo Projeto, passam por um diagnóstico empresarial que aponta os pontos fortes e os que precisam ser melhorados em termos de gestão, produção e apresentação do produto", afirma Danielle Lima Santos, analista da Unidade de Agronegócio do Sebrae-MG. "Em uma segunda etapa, com a ajuda de consultores, os empreendedores começam a adotar melhores práticas de gestão e produção que lhes garantirão maior competitividade, diferenciais no mercado e uma consequente expansão das vendas".

Em 2013, o Programa deverá investir R$ 1 milhão na melhoria da capacitação, promoção e comunicação das empresas integrantes, assim como na participação em feiras, rodadas de negócios, roadshows no segmento de hotelaria e encontros ligados ao agronegócio que garantam abertura de novos mercados e frentes de atuação. O Projeto contempla segmentos produtores de café, frutas, mel, queijo, cachaça e flores, valorizando o produto originário de Minas Gerais.